Realizamos uma entrevista sobre a inclusão na sala de aula com a psicopedagoga Adriana, que atua há três anos na educação e desenvolve um trabalho diferenciado com a sua aluna, que é portadora de paralisia cerebral.
Para você, o que é a
inclusão?
Inclusão é considerar a
criança com deficiência de qualquer natureza motora, cognitiva, física como
sujeito que aprende. A criança com deficiência tem seu jeito particular de se
comunicar e aprender. Cabe ao professor
conhecer seu aluno para que crie estratégia pedagógica que possibilite a ele
uma aprendizagem real.
Incluir é favorecer não
somente a socialização é pensar na formação da criança como todo, possibilitar
desenvolvimento do seu potencial, inseri-lo no processo de ensino e
aprendizagem. Permitir que a criança aprenda a aprender, a ser, conviver e a
fazer.
Você acredita no processo de inclusão dos alunos com necessidades
educacionais especiais? O que você acha que pode melhorar, ou o que está
faltando?
Eu acredito que é possível a inclusão destes alunos, no entanto
ainda é uma utopia, em modo geral hoje o que ocorre é a inserção destas
crianças em escola regular de ensino. Ainda na maioria das vezes infelizmente a
inclusão se efetiva.
Falta um olhar que trate
realmente as especificidades destas crianças. Falta formação profissional,
recursos didáticos, adaptação do espaço física da escola, organização deste
espaço considerando que é preciso um lugar que permita um trabalho
individualizado com o aluno como a SRMF ( sala de recursos multifuncionais),
parceria com outros profissionais para atendimento extra escolar. Não há um
investimento financeiro das instâncias políticas suficientes para garantir um
trabalho pedagógico que garanta a inclusão destas crianças.
Qual o maior desafio para o
professor no contexto da educação inclusiva hoje?
Desenvolver um trabalho pedagógico eficaz ao processo de ensino e
aprendizagem destas crianças sem o apoio necessário. Ter uma sala com excesso
de alunos, poucos recursos e tempo para se dedicar a ação docente voltada para
estas crianças.
Como é o seu trabalho
com o aluno especial? Você faz algum tipo de adaptação, ou plano especial?
Tenho uma aluna com
paralisia cerebral, com comprometimento cognitivo, motor, visão e fala. Sim. Estou construindo junto com a família um
portfólio para registro e avaliação do seu desenvolvimento de acordo com os
objetivos propostos no planejamento, bem como das atividades realizadas. As
atividades são adaptadas as sua especificidade, lúdicas. Uso jogos e
brincadeiras como ferramenta pedagógica. Tem sido uma experiência prazerosa e
eficaz.
Como trabalhar o
preconceito dentro da escola? Você tem alguma experiência ou sugestão?
Na verdade o preconceito “é coisa de
gente grande”. A criança pequena é muito generosa, aceita com tranqüilidade e
muita naturalidade as diferenças. Os adultos têm muito que aprender com as
crianças. A criança pequena dá uma aula
de humanismo e solidariedade.











